Cada livro é um mundo

30/08/2017

A vida do livreiro A. J. Fikry | Attraversiamo
A VIDA DO LIVREIRO A. J. FIKRY | GABRIELLE ZEVIN
192 PÁGINAS | PARALELA | 2014

“Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

"Amelia, a otimista, acredita que é melhor ficar só do que com alguém que não compartilha de suas sensibilidades e interesses. (É, não é?)" P. 9
Às vezes os livros só nos encontram no momento certo e esse, definitivamente, não é um livro para qualquer um. Ele é calmaria em meio de tempestade. E seu potencial reside aí. 

Talvez eu seja suspeita para falar a respeito, afinal, adoro livros que tratam sobre livros ou livrarias (ó, metalinguagem). A questão é que "A vida do livreiro A. J. Fikry" é realmente bom. Não espetacular ou digno de se tornar um clássico (categoria superestimada, diga-se de passagem), mas ótimo nas suas particularidades. De forma simplista, esse é um livro escrito para quem é apaixonado por livros.

Comecemos pelo fato de que A. J. Fikry poderia ser eu. Ou melhor, você. Ele é a personificação daquilo que não gostamos de admitir que somos: humanos. Fikry possui nuances tão humanas quanto possível. Ele tem vários altos e baixos, regados com uma boa dose de ironia. Adicione ao cenário uma livraria, personagens divertidos, uma pitada de romance e teremos essa obra singela e, simultaneamente, genuína.

"Só conversaram sobre livros, mas o que, nessa vida, é mais íntimo do que livros?" P. 14
O protagonista é proprietário da Island Books, empreendimento que fundou com sua falecida esposa. Vive sozinho no apartamento em cima da loja e, aparentemente, esforça-se para que os outros não gostem de sua figura. A princípio, A. J. parece amargurado pelo rumo que sua vida tomou. Porém, é impossível não se apaixonar por ele ao longo dos capítulos, especialmente considerando seu humor ácido e suas críticas perspicazes a respeito de diversas obras literárias.

Os demais personagens são críveis e cativantes. Lambiase, o amigo improvável de Fikry, é a personificação do clichê de policial americano e adiciona uma maravilhosa fragrância humorística à leitura. Enquanto que Amelia, a mulher sonhadora, consegue conquistar o coração. Afinal, todos temos um pouco de Amelia dentro de nós.

"Lembre que uma boa educação pode ser encontrada em lugares não usuais." P. 19
No geral, o enredo não é enigmático. Entretanto, contém algumas pontas de mistério bem-vindas e que, felizmente, são bem entrelaçadas até o final da obra. Além disso, Zevin consegue surpreender positivamente em diversos aspectos, principalmente na conclusão.

A assertividade do livro consiste, de fato, na sua simplicidade. A escrita é despretensiosa e característica. Percebe-se que a fórmula utilizada para compor a narrativa é objetiva, mas a mensagem principal é mais complexa que isso.

"Não somos as coisas que colecionamos, adquirimos, lemos. Somos, enquanto estamos aqui, apenas amor. As coisas que amamos. As pessoas que amamos. E estas, acho que estas realmente continuam." P. 134
Fala-se sobre o poder subversivo da leitura e do amor. E, certamente, não há nada tão poderoso quanto isso.

NOTA: 10/10 

Depois de um longo e tenebroso inverno, vulgo
hiatus, voltei com a resenha desse livro deliciosamente aconchegante. Você já leu? :)

7 comentários:

  1. AAAAAAAAAAAA, que resenha <3
    Já adicionei no skoob porque vou ler em algum momento, que eu espero que seja logo, talvez mês que vem. Amo metalinguagem hahahah Um livro que fala sobre livros, seria meu sonho se tornando realidade?

    AAAAAA como eu não conhecia esse livro, meu deus!
    Muito obrigada, vic por me apresentar esse livrooo <3

    Beijos,
    pinguimtagarela.blogspot.com.br

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  2. AAAAAA que bom que gostou! De verdade. Eu sou apaixonada por livros que falam de livros! hahahaha Inclusive, aceito indicações.

    Capazzz. Depois me conta o que achou! ♥

    Beijão ;*

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  3. Oi, Victória.
    Eu já tinha visto o Vitor Martins falar muito bem desse livro sua resenha só ressaltou os pontos positivos.
    Não é um livro que leria no momento, mas sem dúvidas ainda vou lê-lo.
    Beijo


    Te Conto Poesia ♥

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  4. Essas resenhas que fazem a gente conhecer o livro como se estivesse lendo ele. ❤
    Nunca ouvi falar desse livro, mas agora entrou na lista dos que precisam ser lidos.

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  5. Oi Victória, tudo bem? Que delícia de resenha. Acredito que você voltou em grande estilo. As vezes precisamos de um hiatus para colocar as ideias no lugar, experimentar coisas novas, adquirir experiência e então trazer tanta coisa boa para ser compartilhada. Não conhecia o livro mas achei o enredo incrível. Me fez até pensar no porque gosto tanto de ler. Porque minha estante é abarrotada de livros. Tantos mundos, tantas histórias, muitas vidas em cada livro. Parabéns pelo post. Beijos, Érika =^.^=

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  6. Olá, tudo bem?
    Esses livros que falam de livros são bem legais. Esse tema me lembrou vagamente de "Coração de tinta", que ainda não li.
    Mas voltando para a sua publicação: eu adorei sua resenha, assim como através dela, achei o livro interessante.
    Beijos
    5 O'clock Tea

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  7. adorei a resenha e confesso ter ficado bastante curiosa para ler o livro. às vezes uma narrativa assim, mais calma e leve, faz tão bem! <3

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