E as folhas caem

20/03/2017

Esse post faz parte da blogagem coletiva do grupo Interative-se! Venha para o nosso clubinho.

Hoje começa, oficialmente, o outono.🍁Aquela época em que o tempo esfria um pouquinho e as folhas caem. É a minha segunda estação favorita, sendo que o primeiro lugar é ocupado pelo inverno! 

Assim, resolvi participar da blogagem coletiva do Interative-se! e apresentar uma lista com alguns filmes que têm ~cara~ de outono. Isso não significa que eles, necessariamente, se passam durante essa estação, apenas que são ideais para tornar perfeito aquele fim de tarde com chocolate quente ou chá.


Beleza oculta
Trata a respeito da vida de um publicitário que sofreu uma grande perda e, desde então, não possui perspectiva de futuro pessoal e profissional. É ótimo? Sim! Poderia ser melhor? Com certeza. Porém, continua sendo um filme bonito, que possivelmente te levará às lágrimas.

Sociedade dos poetas mortos
Um clássico inspirador com o queridíssimo Robin Williams. O filme é cheio de críticas ao método tradicional de ensino e, ao mesmo tempo, trabalha a profundidade das relações que estabelecemos. Impossível não se apaixonar!

Mesmo se nada der certo
Trabalha a influência da música como elemento de união nos relacionamentos e tem uma trilha sonora sensacional. Desenvolve, de forma suave e sensível, personagens verossímeis com diferentes níveis de complexidade. Não é previsível e mostra uma perspectiva de final diferente da qual estamos habituados.

10 coisas que eu odeio em você
Ótima versão ~moderna~ de "A megera domada". Um filme super nostálgico e leve, com possível quê de sessão da tarde. Não é inovador e, muito menos, reflexivo, mas cumpre (bem) o papel de entretenimento que propõe. 

Capitão fantástico
É um daqueles longas "alternativos", sem grandes investimentos ou divulgação. Tem enfoque nos Cash, uma família com hábitos alternativos que vive em uma floresta, sem contato com o sistema capitalista. Contém muita ironia/sarcasmo, análises a respeito da sociedade em que vivemos e, de certa maneira, uma pitada de drama.


Vocês também amam o outono? :)

7 livros com capas apaixonantes

07/03/2017

Quem nunca comprou um livro pela capa, não é mesmo? Admito que eu mesma faço isso com bastante frequência. Aliás, capas e títulos são os principais influenciadores nas minhas escolhas de leitura. Por esse motivo, resolvi trazer alguns queridinhos.


1. Edgar Allan Poe | Editora Darkside
Esse livro foi lançado recentemente e eu fiquei completamente apaixonada pela capa. O contraste entre preto e dourado dá uma nuance que é a cara do Poe. A ilustração foi super bem desenvolvida e está sensacional, característica marcante da Darkside.

2. Diga aos lobos que estou em casa | Editora Novo Conceito
Finalizei essa obra recentemente e posso dizer que, além do nome, a capa também me encantou; é delicada e, ao mesmo tempo, chamativa. O mais legal é que todos os elementos têm um papel significativo no livro. :)

3. Precisamos falar sobre Kevin | Editora Intrínseca
Tão simples e tão perturbadora. Raramente gosto de capas fotográficas, mas essa é muito bonita, além de, obviamente, bizarra. Acho que nem é preciso uma longa descrição a respeito do porquê ela estar na lista, não é?

4. O sol é para todos + Vá, coloque um vigia | Editora José Olímpio
Dupla que ocupa a seção de queridinhos da minha estante. As cores são super vibrantes e a tipografia é bem trabalhada, capta o olhar. Tem uma pegada minimalista (amo) e traduz, de forma singela, a beleza de um bom clássico.


5. Condenada + Maldita | Editora LEYA
Outra dupla cheia de cores! Essa coleção tem uma pegada meio old school com ilustrações que lembram bastante o universo das tatuagens. A tipografia é condizente e bacana, mas acho que o nome do autor poderia ser um tico menor. De qualquer forma, a beleza de ambas é inegável.

6. Laranja mecânica | Editora Aleph
Essa capa faz parte da edição comemorativa de 50 anos e é toda trabalhada no minimalismo, fato que traz um charme particular. O laranja é muito atrativo e a garrafa de leite ali no fundo é um prato de referência.

7. Contos maravilhosos infantis e domésticos | Editora Cosac Naify
A Cosac Naify (RIP) sempre teve capas magníficas! A coleção de contos dos Grimm é cheia de tonalidades encorpadas e traz vários elementos com estilo de xilogravura, ilustrados pelo artista brasileiro J. Borges.

Quais são as capas preferidas de vocês? :D

Campo de papoulas

01/03/2017


As mãos padecidas oscilavam ao menor sinal de esforço e as pernas mal eram capazes de sustentar o minguado peso de seu corpo. Sua boca estava ressequida, o gosto de sangue ainda recente em seus lábios.

A visão do campo de papoulas vermelhas se tornara uma memória distante e sem vida. No início, ao fechar os olhos, poderia sentir a leve brisa de verão e o roçar das pétalas em sua pele. Caso se esforçasse o suficiente, ouviria o farfalhar das folhas e, com um pouco de sorte, apreciaria o pôr do sol e todas as suas cores cheias de vida.

Vida. Seu estômago roncou. Era especialmente difícil tentar se concentrar em boas lembranças sentindo tamanha fome. Além disso, sua mente já não recordava de muito mais. Repetia, diariamente, a si mesmo, como um mantra: meu nome é Osher Cohen, meus pais são Aharon e Elisheva, tenho 12 anos. Ou seria 13? Não tinha certeza.

Sentiu um aperto na barriga. Estendeu o braço direito em direção ao vão da parte inferior da estrutura de madeira onde dormia e tateou até alcançar o pedaço de pão que roubara do lixo mais cedo no mesmo dia. Ao levá-lo à boca, sentiu o forte ranço de bolor que havia se impregnado na superfície e, tão logo, afastou a náusea com esforço.

Lembrou-se, vagamente, da rua onde morava e percorreu, mentalmente, o trajeto que fazia para ir à escola. Passou pela padaria na esquina e atravessou mais alguns quarteirões enquanto contava o número de passos. Tentou, inutilmente, evocar o cheiro dos pães e doces que costumava encher toda a rua, afim de escapar, ainda que momentaneamente, da realidade que lhe aprisionava.

Ouviu o apito familiar soar estridente.

 Todos em pé! – bradou uma voz masculina cuja silhueta inabalável estava em frente à porta do galpão.

Osher rapidamente se levantou, mesmo com a súbita sensação de estar prestes a desabar no chão. Com dificuldade, lembrou a si mesmo do que acontecia com aqueles que não permaneciam em pé.

Desviou quando um de seus colegas, acidentalmente, caiu sobre o sapato do homem de uniforme. Cerrou os olhos tão forte quanto era capaz e esforçou-se para não escutar os golpes abafados desferidos contra o corpo que, naquele momento, já não possuía mais vida. As palavras "Judeu imundo" pairavam sobre sua mente enquanto o menino continha as poucas lágrimas que lhe restavam.

Manteve-se ereto, na medida do possível, e acompanhou o grupo, como fora ordenado. A ideia de um banho lhe parecia demasiadamente humana, o que não soava razoável. Osher tinha dificuldades em manter a esperança de que as coisas pudessem, de alguma forma, melhorar. Porém, a crença de que, finalmente, haviam notado o erro cometido ainda habitava em seu coração.

Antes que tudo ficasse escuro, ele pôde jurar que sentiu o cheiro das papoulas.

5 coisas que você precisa saber antes de adotar um cachorro

24/02/2017

Ou catioro, porque é mais fofíneo falar assim.



Eis que eu era uma crazy cat lady. Até que conheci o Kaio e, com ele, veio a Meg, uma weimaraner velhinha e super dócil. ♥ A Meg faleceu na metade de 2016 e tudo ficou um tanto quanto cinza, até o Kaio sugerir que nós adotássemos uma catiora. Mas, não contentes em adotar uma, adotamos duas irmãzíneas. E foi assim que tudo começou.

Então, se estiver pensando em adotar um cachorro, confira essa lista massa de coisas que você PRECISA saber. E, caso você já possua um/a amiguinho/a de quatro patas, vem chorar dar risada e balançar a cabeça pensando "Nossa, é assim mesmo".

1. Eles comem tudo.
TUDO. MESMO. Chinelo, casinha, cabo de vassoura, pá, portão (!), tijolo (?), roupas, moto (sim), mangueira, pé da máquina de lavar, panfletos, cimento, pregador de roupas. Enfim, tudo. Especialmente tratando-se de filhotes. Atente-se a isso, porque não vale culpar o bichinho depois, tá?

2. Eles são extremamente dependentes.
Sabe aquele lance de que gatos são independentes? Pois é. Verdade universal. Não que gatos não sejam carinhosos ou afetivos. O lance é que cachorros têm isso multiplicado, no mínimo, por mil. Eles precisam de MUITA atenção. O tempo todo. Portanto, considere se você terá tempo para suprir toda essa carência.

3. Eles não têm tempo ruim.
Faça chuva ou faça sol eles estarão perseguindo borboletas por aí. Ou seja, independente do seu humor, ele vai trazer uma bolinha toda babada para brincar com você. E, muito possivelmente, você não irá resistir àquela carinha fofa e feliz, apesar de ser pura chantagem.

4. Eles dão (muito) trabalho e gastos.
Parece meio óbvio, mas não é. Cachorros dão muito trabalho. Mais do que você, provavelmente, pode imaginar. Talvez eles achem divertido pular em você com as patíneas cheias de cocô ou dilacerar panfletos e espalhar milhares de pedacinhos por todo o quintal. Enfim, muita calma nessa hora. Além disso, eles dão gastos, assim como qualquer outro animal, então prepare o seu bolso. Pode ser, por exemplo, que eles enfiem a cabeça na grade do portão e tenham um otohematoma ou desenvolvam uma infestação de carrapatos. Acredite, acontece  experiência própria. Por isso, separe uma re$erva mensal para prováveis emergências caninas.

5. Eles são companheiros fiéis.
Sabe aquele dia de fossa? Seu cachorro estará lá. Sabe aquele dia cheio de alegria? Ele também estará lá. Muito provável que ele tente te defender de todos os perigos do mundo, inclusive pombas ou lagartixas. Ou talvez ele só queira ficar grudadinho contigo all the time. De qualquer forma, ele sempre vai estar ao seu lado.

tchauzíneo

Lamente aquela lingerie linda que seu catioro comeu aí embaixo!
Ou conte sobre aquela vez em que ele roubou um frango de cima da mesa.
Prometo não rir (muito).

Palavras-problema

07/02/2017

CLAROS SINAIS DE LOUCURA | KAREN HARRINGTON
254 PÁGINAS | INTRÍNSECA | 2014

Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então, mora em uma instituição psiquiátrica. O pai tornou-se alcoólatra. Prestes a completar doze anos, Sarah sente falta de um pai mais presente e das experiências que não viveu com a mãe, está preocupada com a árvore genealógica que fará na escola e ansiosa porque seu primeiro beijo de língua ainda não aconteceu. Tragédia e humor combinam-se de forma magistral nesta incrível história sobre a aventura que é crescer.

"Pessoalmente, eu ia preferir que um garoto percebesse qual livro eu estava lendo e me dissesse que também tinha gostado." P. 49
Já faz um tempo que prometi a resenha desse livro fantástico e, portanto, cá estou! "Claros sinais de loucura" foi lançado, no Brasil, em 2014 e conta com 254 páginas. Essa é a segunda publicação de Karen Harrington, sendo que a primeira  de título "Janeology"  trata exclusivamente sobre o crime cometido pela mãe de Sarah e ainda não possui versão brasileira.

No livro, somos apresentados à Sarah de maneira leve e objetiva. A narração em primeira pessoa tece um vínculo com a protagonista, que, apesar de ter apenas quase 12 anos, possui uma capacidade intelectual avançada e racionalidade admirável. Ela não sabe praticamente nada a respeito de sua mãe, Jane Nelson, e, ainda menos, sobre o desastre do afogamento na pia, ao qual seu irmão gêmeo, Simon, não sobreviveu.

"A situação parece um pouco bizarra. Como a cama que ainda está desarrumada às duas da tarde e faz o dia todo parecer uma bagunça." P. 89
Sarah é uma garota diferente, cheia de incertezas e dúvidas (quem não?), com grande poder de observação, que, por meio de palavras puras, compartilha um pouco do seu mundo conosco. Além disso, conversa com sua Planta (com P maiúsculo, sim, porque é nome) e, graças ao incentivo de seu professor de inglês, escreve cartas para Atticus Finch, advogado de "O sol é para todos", nosso seu personagem favorito.


De tempos em tempos, muda de cidade, visto que as pessoas descobrem a respeito de sua mãe e tão logo começam os julgamentos sociais, repórteres bisbilhoteiros e piadinhas na escola. Ela deixa evidente, ao longo da trama, seu incômodo em relação a isso: não poder criar raízes por conta do erro de outrem.

Tom Nelson, seu pai, é professor e alcóolatra, mostrando-se, várias vezes, negligente no seu relacionamento com a filha. Ele é incapaz de abstrair o passado e construir uma base sólida com Sarah, fato que faz com que a garota aja como a adulta da situação durante grande parte do tempo, enquanto Tom encontra-se bêbado no sofá.

"É isso que eu sou. Uma cripta de segredos. Eles se agitam dentro do meu peito como pássaros engaiolados que querem fugir, mas têm medo de voar." P. 97
Ou seja, em resumo, a vida de Sarah é fodida em quase todos os aspectos. Ela deseja saber mais sobre a mãe, ao mesmo tempo em que se questiona sobre o elo que as envolve loucura. Recolhe pedaços aqui e ali, através de jornais e sites, para tentar preencher as lacunas de sua história. Simultaneamente, enfrenta dilemas pré-adolescentes, como o primeiro beijo, trabalhos de escola e romances imaginários, fato que equilibra todo o enredo e confere veracidade à personagem.

Conforme a leitura avança, Sarah apresenta definições de palavras que se entrelaçam às suas narrações e disserta sobre seus significados. Tudo é muito fluído e bem enredado. As cartas, bem como outras composições (mensagens de texto, e-mails e bilhetes), aparecem sutilmente ao longo do livro, com tipografia diferenciada e compatível.

"(...) as pessoas em geral são o que decidem ser, não importa de onde vieram." P. 180
"Claros sinais de loucura" possui mensagens importantes, ainda que sutis. Há um pouco de empoderamento feminino aqui e ali, mesmo que de forma singela. Karen Harrington soubre trabalhar de forma espetacular o universo de uma criança em crescimento e é muito provável que você se identifique com os pensamentos de Sarah, especialmente se foi uma das crianças não populares e/ou zoadas do colégio  falo por experiência própria.

Os personagens secundários também são muito bem construídos e têm profundidade, o que enlaça toda a trama de maneira tênue. As observações racionais e questionadoras de Sarah despertam nossa curiosidade e julgamento a respeito de todo o cenário a sua volta. Os temas abordados são pesados  – alcoolismo, doenças psicológicas, morte e afins – e a narração um tanto quanto ingênua (apesar de perspicaz) traz o tom certo à obra.

Entretanto, acho importante evidenciar que esse não é um livro com começo-meio-fim. E, por sinal, isso é um aspecto extremamente positivo da publicação, por motivos de: o que importa, de fato, é a jornada da personagem e sua evolução pessoal, tal qual na vida real. Não vá ler esperando que todos os dilemas e problemas apresentados inicialmente irão, magicamente, se resolver até a página final, pois, dessa forma, a decepção será inevitável.

"A diferença entre as nossas mãos é como fogo e gelo. Ela trabalhou duro durante a vida inteira, e minhas mãos não fizeram nada. Ela viajou muito, e eu só fiquei em casa. Espero que um dia minhas mãos sejam como as dela." P. 151
A afinidade com os aspectos físicos variam de acordo com o gosto individual, mas acho legal ressaltar que o visual da capa me agradou imensamente e, quem leu, sabe que é a cara da Sarah. A diagramação é boa e descomplicada. Não existem firulas na parte interna e, particularmente, prefiro dessa forma.

Minha única ressalva está na página 107, onde há um trecho – até que consideravelmente longo – com tradução errada (shame on you, Intrínseca). "Nossa, Victória, por que implicar com isso?" Simples: esse trecho em específico fala sobre o livro "O sol é para todos" e, quem não fez a leitura, irá, certamente, se confundir.

"(...) Então, sabe, eu não tenho contato com a minha mãe. Scout tem mais sorte do que eu nesse quesito. A mãe dele, sua mulher, morreu quando ele tinha dois anos, então ele não se lembra dela."

HELLO, Scout é a narradora do livro favorito da Sarah e, por sinal, uma garota! Incrivelmente, Scout foi citada anteriormente, na página 63, como sendo uma personagem feminina e, ao mesmo tempo, durona, então isso leva a crer que foi só um vacilo feio de tradução/revisão mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

"Descobri que é preciso escolher ter coragem todos os dias, como se escolhe a camisa que vai vestir. Não é automático." P. 235
De qualquer forma, esse errinho não tira o mérito do livro como um todo. Em suma, a personagem-narradora possui complexidades e trejeitos na medida certa e, de maneira alguma, se torna entediante ou chata ao longo dos capítulos (né, Katniss? cof cof), pelo contrário, Sarah é carismática e conquista nossa empatia a cada página. Além disso, os personagens secundários são escritos forma realista e cada qual tem sua relevância e papel de destaque no momento certo (sra. Dupree ♥). 

"Claros sinais de loucura" pode parecer, à primeira vista, aquele livro de um sábado a tarde chuvoso, com um possível quê de leitura de ônibus, mas é, indiscutivelmente, uma obra que conquista. Você vai desejar ter tido Sarah Nelson como sua melhor amiga de infância, eu garanto.

NOTA: 10/10

Ficou com vontade de ler? Já leu? Diz aí. :)

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