Palavras-problema

7 de fevereiro de 2017 40 comentários
CLAROS SINAIS DE LOUCURA | KAREN HARRINGTON
254 PÁGINAS | INTRÍNSECA | 2014

Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então, mora em uma instituição psiquiátrica. O pai tornou-se alcoólatra. Prestes a completar doze anos, Sarah sente falta de um pai mais presente e das experiências que não viveu com a mãe, está preocupada com a árvore genealógica que fará na escola e ansiosa porque seu primeiro beijo de língua ainda não aconteceu. Tragédia e humor combinam-se de forma magistral nesta incrível história sobre a aventura que é crescer.

"Pessoalmente, eu ia preferir que um garoto percebesse qual livro eu estava lendo e me dissesse que também tinha gostado." P. 49
Já faz um tempo que prometi a resenha desse livro fantástico e, portanto, cá estou! "Claros sinais de loucura" foi lançado, no Brasil, em 2014 e conta com 254 páginas. Essa é a segunda publicação de Karen Harrington, sendo que a primeira  de título "Janeology"  trata exclusivamente sobre o crime cometido pela mãe de Sarah e ainda não possui versão brasileira.

No livro, somos apresentados à Sarah de maneira leve e objetiva. A narração em primeira pessoa tece um vínculo com a protagonista, que, apesar de ter apenas quase 12 anos, possui uma capacidade intelectual avançada e racionalidade admirável. Ela não sabe praticamente nada a respeito de sua mãe, Jane Nelson, e, ainda menos, sobre o desastre do afogamento na pia, ao qual seu irmão gêmeo, Simon, não sobreviveu.
"A situação parece um pouco bizarra. Como a cama que ainda está desarrumada às duas da tarde e faz o dia todo parecer uma bagunça." P. 89
Sarah é uma garota diferente, cheia de incertezas e dúvidas (quem não?), com grande poder de observação, que, por meio de palavras puras, compartilha um pouco do seu mundo conosco. Além disso, conversa com sua Planta (com P maiúsculo, sim, porque é nome) e, graças ao incentivo de seu professor de inglês, escreve cartas para Atticus Finch, advogado de "O sol é para todos", nosso seu personagem favorito.


De tempos em tempos, muda de cidade, visto que as pessoas descobrem a respeito de sua mãe e tão logo começam os julgamentos sociais, repórteres bisbilhoteiros e piadinhas na escola. Ela deixa evidente, ao longo da trama, seu incômodo em relação a isso: não poder criar raízes por conta do erro de outrem.

Tom Nelson, seu pai, é professor e alcóolatra, mostrando-se, várias vezes, negligente no seu relacionamento com a filha. Ele é incapaz de abstrair o passado e construir uma base sólida com Sarah, fato que faz com que a garota aja como a adulta da situação durante grande parte do tempo, enquanto Tom encontra-se bêbado no sofá.
"É isso que eu sou. Uma cripta de segredos. Eles se agitam dentro do meu peito como pássaros engaiolados que querem fugir, mas têm medo de voar." P. 97
Ou seja, em resumo, a vida de Sarah é fodida em quase todos os aspectos. Ela deseja saber mais sobre a mãe, ao mesmo tempo em que se questiona sobre o elo que as envolve loucura. Recolhe pedaços aqui e ali, através de jornais e sites, para tentar preencher as lacunas de sua história. Simultaneamente, enfrenta dilemas pré-adolescentes, como o primeiro beijo, trabalhos de escola e romances imaginários, fato que equilibra todo o enredo e confere veracidade à personagem.

Conforme a leitura avança, Sarah apresenta definições de palavras que se entrelaçam às suas narrações e disserta sobre seus significados. Tudo é muito fluído e bem enredado. As cartas, bem como outras composições (mensagens de texto, e-mails e bilhetes), aparecem sutilmente ao longo do livro, com tipografia diferenciada e compatível.
"(...) as pessoas em geral são o que decidem ser, não importa de onde vieram." P. 180
"Claros sinais de loucura" possui mensagens importantes, ainda que sutis. Há um pouco de empoderamento feminino aqui e ali, mesmo que de forma singela. Karen Harrington soubre trabalhar de forma espetacular o universo de uma criança em crescimento e é muito provável que você se identifique com os pensamentos de Sarah, especialmente se foi uma das crianças não populares e/ou zoadas do colégio  falo por experiência própria.

Os personagens secundários também são muito bem construídos e têm profundidade, o que enlaça toda a trama de maneira tênue. As observações racionais e questionadoras de Sarah despertam nossa curiosidade e julgamento a respeito de todo o cenário a sua volta. Os temas abordados são pesados  – alcoolismo, doenças psicológicas, morte e afins – e a narração um tanto quanto ingênua (apesar de perspicaz) traz o tom certo à obra.

Entretanto, acho importante evidenciar que esse não é um livro com começo-meio-fim. E, por sinal, isso é um aspecto extremamente positivo da publicação, por motivos de: o que importa, de fato, é a jornada da personagem e sua evolução pessoal, tal qual na vida real. Não vá ler esperando que todos os dilemas e problemas apresentados inicialmente irão, magicamente, se resolver até a página final, pois, dessa forma, a decepção será inevitável.
"A diferença entre as nossas mãos é como fogo e gelo. Ela trabalhou duro durante a vida inteira, e minhas mãos não fizeram nada. Ela viajou muito, e eu só fiquei em casa. Espero que um dia minhas mãos sejam como as dela." P. 151
A afinidade com os aspectos físicos variam de acordo com o gosto individual, mas acho legal ressaltar que o visual da capa me agradou imensamente e, quem leu, sabe que é a cara da Sarah. A diagramação é boa e descomplicada. Não existem firulas na parte interna e, particularmente, prefiro dessa forma.

Minha única ressalva está na página 107, onde há um trecho – até que consideravelmente longo – com tradução errada (shame on you, Intrínseca). "Nossa, Victória, por que implicar com isso?" Simples: esse trecho em específico fala sobre o livro "O sol é para todos" e, quem não fez a leitura, irá, certamente, se confundir.

"(...) Então, sabe, eu não tenho contato com a minha mãe. Scout tem mais sorte do que eu nesse quesito. A mãe dele, sua mulher, morreu quando ele tinha dois anos, então ele não se lembra dela."

HELLO, Scout é a narradora do livro favorito da Sarah e, por sinal, uma garota! Incrivelmente, Scout foi citada anteriormente, na página 63, como sendo uma personagem feminina e, ao mesmo tempo, durona, então isso leva a crer que foi só um vacilo feio de tradução/revisão mesmo. ¯\_(ツ)_/¯
"Descobri que é preciso escolher ter coragem todos os dias, como se escolhe a camisa que vai vestir. Não é automático." P. 235
De qualquer forma, esse errinho não tira o mérito do livro como um todo. Em suma, a personagem-narradora possui complexidades e trejeitos na medida certa e, de maneira alguma, se torna entediante ou chata ao longo dos capítulos (né, Katniss? cof cof), pelo contrário, Sarah é carismática e conquista nossa empatia a cada página. Além disso, os personagens secundários são escritos forma realista e cada qual tem sua relevância e papel de destaque no momento certo (sra. Dupree ♥). 

"Claros sinais de loucura" pode parecer, à primeira vista, aquele livro de um sábado a tarde chuvoso, com um possível quê de leitura de ônibus, mas é, indiscutivelmente, uma obra que conquista. Você vai desejar ter tido Sarah Nelson como sua melhor amiga de infância, eu garanto.

NOTA: 10/10

Ficou com vontade de ler? Já leu? Diz aí. :)

[TAG] Fazem parte da minha wishlist

1 de fevereiro de 2017 29 comentários
Este post faz parte da tag "52 semanas".

A contagem regressiva começou e, oficialmente, faltam 10 dias para uma das datas mais legais do ano, aka meu aniversário! Nada melhor do que completar mais um item da eterna TAG "52 semanas" e falar um pouco sobre os presentes que vocês podem me dar cof cof.  Irei atualizar esse post conforme for ganhando ou comprando os itens dessa wishlist (do inglês, lista de desejos) super massa.


Faca do chef 8"
Eu adoro cozinhar e, atualmente, um dos meus maiores desejos é uma faca de cozinha profissional. Existem diversas marcas, mas entre as minhas favoritas estão: Zelite, Benchusch, Zwilling e, nacionalmente, há uma linha profissional da Tramontina que também me emociona pacas. 

Conjunto de panelas antiaderentes ✓ (30/01/2017)
Eu já mencionei que sou apaixonada por gastronomia?! hehe Acho que uma das piores torturas é cozinhar em panelas que não possuem antiaderente e eu já vinha sofrendo demais com isso nos últimos tempos. Eis que uma pessoinha maravilhosa, também conhecida como Kaio, comprou – ainda que se sentindo um tanto quanto contrariada por acreditar que seria um gesto machista mesmo após as minhas inúmeras explicações  um conjunto de panelas vermelho lindo com 8 peças que, logo mais, vai chegar por aqui. Obrigada. 

Alpargata (básica preta) ✓ (15/02/2017)
Eu não tenho o costume de comprar sapatos a não ser que seja necessário. No momento, tenho 5 pares: dois tênis casuais, um coturno, um saltinho coringa e uma alpargata. Essa última eu juro que poderia ser considerada um organismo com vida própria de tão velha e surrada. Então, incluí esse item na lista por motivos de: preciso-de-um-sapato-confortável-de-vó-novo.

Rodízio de comida japonesa
Eu nunca fui a um restaurante de comida japonesa e, apesar da estranheza que tenho em relação a comidas cruas e afins, sinto curiosidade a respeito. Virou ~febre~ nos últimos tempos e até hoje não experimentei! Por isso, quero. 

Livros
Tenho vários livros na minha wishlist, mas a a maioria está no post sobre metas palpáveis. Inclusive, o Kaio também me presenteou, recentemente, com o lindíssimo "Diga aos lobos que estou em casa" e já comecei a leitura apaixonadíssima.


Gostaram? Quais itens estão na wishlist de vocês? Contem nos comentários!

Metas palpáveis

17 de janeiro de 2017 35 comentários
adj. m/f  1. Que se pode tocar, ver ou perceber; 2. Fig. Que é claro, evidente, incontestável.
Cá estou, um tanto quanto Sarah Nelson, definindo palavras e estabelecendo metas tangíveis de leitura para o ano de 2017. Será que logo mais estarei falando com a Planta? É difícil dizer. Como contei aqui, 2016 foi o ano dos filmes e, ainda que tristemente, devo admitir que li muito pouco. Apesar dos pesares, the show must go on, então quis estabelecer uma meta pé no chão para esse ano, justamente por conta de faculdade, trabalho, vida social (mentira, não tenho) etc.

2016 be like

12 livros em 12 meses
O nome já é bem óbvio, mas vale ressaltar: o objetivo é ler, no mínimo, doze livros. Isso significa que outros títulos podem ser, eventualmente, inseridos aí no meio (oi, faculdade), mas esses são os principais e (quase) obrigatórios.

1. Claros sinais de loucura | Karen Harrington
Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então mora em uma instituição psiquiátrica.

2. Vá, coloque um vigia | Harper Lee
Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de "O sol é para todos", está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais.

3. No sufoco | Chuck Palahniuk
Victor também trabalha num parque temático com um bando de figuras medíocres, ronda grupos de viciados em sexo para curtir as viciadas e visita a mãe convalescente, cujo Alzheimer esconde um segredo fantástico sobre sua concepção. No Sufoco é Clube da Luta para os sexólatras.

4. Diga aos lobos que estou em casa | Carol Rifka
1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente 'ela mesma' na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba.

5. O menino dos fantoches de Varsóvia | Eva Weaver
Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes - um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo. O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado.

6. O começo de tudo | Robyn Schneider
O garoto de ouro Ezra Faulkner acredita que todo mundo tem uma tragédia esperando ali na esquina - um encontro fatal depois do qual tudo o que realmente importa vai acontecer. Sua tragédia particular esperou até que ele estivesse preparado para perder tudo de uma vez - em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a perna de Ezra, com sua carreira no esporte e com sua vida social.

7. Contato | Carl Sagan
O que está em jogo é o mundo tal como o conhecemos. Sagan convida os leitores a uma viagem pelo buraco negro que é a inteligência humana, mostrando que sinais captados num radiotelescópio podem conter mensagens capazes de nos fazer repensar toda a nossa concepção da vida e do universo.

8. O sol é para todos | Harper Lee  [RELEITURA]
Um livro sobre racismo e injustiça - a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

9. O menino no alto da montanha | John Boyne
Quando Pierrot fica órfão, precisa ir embora de sua casa em Paris para começar uma nova vida com sua tia Beatrix, governanta de um casarão no topo das montanhas alemãs. Mas essa não é uma época qualquer- estamos em 1935, e a Segunda Guerra Mundial se aproxima. E esse não é um casarão qualquer, mas a casa de Adolf Hitler. Logo Pierrot se torna um dos protegidos do Führer e se junta à Juventude Hitlerista. O novo mundo que se abre ao garoto é cada vez mais perigoso, repleto de medo, segredos e traição. E pode ser que Pierrot nunca consiga escapar.

10. Eu, robô | Isaac Asimov
'Eu, robô' reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres 'Três Leis da Robótica' - os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência.

11. A vida do livreiro A. J. Fikry | Gabrielle Zevin
Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos. Uma carta de amor para o mundo dos livros. "Livrarias atraem o tipo certo de gente". É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é "Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo". Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria.

12. O clube de leitura de Jane Austen | Karen Joy Fowler
Cinco mulheres e um homem se reúnem para debater as obras de Jane Austen na Califórnia do início dos anos 2000 e acabam descobrindo, entre casamentos frustrados, arranjos sociais e afetivos, que suas vivências não são assim tão diferentes das experimentadas por Emma ou outras personagens da escritora britânica que tão bem descreveu a sociedade de sua época, dois séculos atrás.

A lista tem alguns clássicos, outras leituras mais leves, bem como um pouco de ficção científica e trash (oi, Chuck Palhaniusjkf). Já finalizei "Claros sinais de loucura" e, em breve, irei resenhá-lo por motivos de: que livro sensacional – obrigada, Kaio, pelo presente!

O que vocês pretendem ler em 2017? Falem aí!

A coisa está toda ferrada

12 de janeiro de 2017 36 comentários
Essa frase é tão universal que eu não sei nem por onde começar. Vamos fazer - ainda que tardiamente - uma rápida retrospectiva do ano de 2016?

Filmes, filmes e mais filmes
Eu e o Kaio assistimos a cerca de 100 filmes, sendo que nossa meta era 48 (o dobro do ano de 2015, shame on you), ou seja, atingimos a meta e dobramos a meta. E isso dá, mais ou menos, um filme a cada 3 dias, o que significa que estamos bem. Alguns longas marromeno, outros excelentes, mas, no geral, foram várias horas bem aproveitadas e que, certamente, renderão muitas resenhas aqui no blog (ou não, depende do meu humor). Vamos ver o que rola em 2017.

Work work work work wok
2016 também foi um ano de muito trabalho. Tanto no pessoal, quanto no profissional. Foram várias madrugadas varadas em claro e muitos fins de semana sem descanso. Porém, como diria o Fernandão: tudo vale a pena se a alma não é pequena. 2017 já tem se mostrado frutífero e cheio de surpresas, então vem que vem.

Surprise, modafoca!
Sim, 365 dias de várias surpresas boas e ruins, muitos "o que está acontecendo?" e algumas doses de choro copioso no banheiro podem, em suma, definir esse ano que bem conheço e desconsidero pacas.

*

E, bem, não bloguei tanto quanto gostaria, mas a vida é uma caixinha de surpresas e nós somos apenas o Joseph Climber tentando sobreviver a essa montanha-russa emocional chamada realidade. But, nem só de lástimas viverá o homem, então vamos ao ponto principal desse post.
E eu nunca me senti tão imerso e, ao mesmo tempo, tão desapegado de mim e tão presente no mundo.
Esse quote é do Albert Camus e aparece logo na introdução do filme Detachment  porcamente traduzido para "O Substituto" aqui no Brasil. Basicamente, acompanhamos a vida do professor substituto Henry Barthes (interpretado por Adrien Brody) e suas experiências dentro e fora da sala de aula. A questão é: não para por aí. Henry é obrigado a lidar com o avô que possui Alzheimer, a adolescente prostituta Erica, alunos agressivos e sem grandes perspectivas de futuro e outros pormenores que dão o tom do longa. 

Quem nunca, né?
Esse não é mais um filme sobre algum professor brilhante cheio de aspirações, com vontade de mudar o cotidiano de seus alunos e lutar contra as falhas da educação. Na verdade, a história fala sobre um professor distanciado, desapegado (olha a referência com o título original aí) e que, muito tristemente, percebe que estamos todos fracassando.

Adrien Brody faz um personagem denso, com um passado conturbado e que, à sua maneira, tenta se posicionar de fora e fazer a diferença, mesmo se dando conta de que também é escravo do sistema. É tudo problemático e caótico, exatamente como a realidade que enfrentamos diariamente. O filme ainda mostra outros personagens que, de forma não tão sutil, encarnam as complexidades do ser humano, em todas as suas belezas e defeitos. O espectador consegue, claramente, ver a combinação de sentimentos – frustração, ódio, melancolia e impotência –, tudo isso com um ar provocativo e extremamente pesado.

"O Substituto" definitivamente não é um filme para se assistir em dias de bad (aliás, leia aqui como lidar com ela). É provável que você se pegue olhando estaticamente para o teto após concluí-lo e, ainda mais possível, que você arruine o resto da sua semana por conta de pensamentos e reflexões acerca do assunto (experiência própria). Vale a pena? Logicamente que sim.

NOTA: 10/10

Diz aí como foi o seu 2016. E, se você já viu o filme, conte o que achou! 

Como se fosse mãe

8 de setembro de 2016 26 comentários
Se você, criaturinha por trás da tela, acompanha o blog com frequência, vai lembrar que ano passado eu virei fada. Pois eis que a vida é uma caixinha de surpresas e, recentemente, esse assunto foi trazido de volta à tona. 

Estávamos eu e Kaio plus um casal de amigos churrasqueando em nossa humilde residência. Ponto importante: eles têm uma filha de 7 anos, chamada Natasha, que é amiga do Miguel, que tem 6 anos, desde pequena. Ok, prosseguindo. Os dois pequeninos - que de pequenos não têm mais nada, chora - farreavam quando, de repente, a guriazinha surgiu na minha frente:

— Vic, a gente pode brincar de guerra (oi?) no quarto seu e do Bode (vulgo Kaio)?

— Pode, Natasha, só tira o sapato se for subir na cama e cuidado lá. - eu respondi ainda tentando imaginar o que diabos seria brincar de guerra.

Ela saiu correndo até chegar no corredor (onde o senhor Miguel a esperava pacientemente) e disse:

— Sua mãe deixou, vamos lá!

Nessa hora bateu aquele gelado no coração, eu olhei - um tanto nervosa, admito - para a mãe dela e nós duas rimos. Kaio, mais que prontamente, seguiu os dois de mansinho, para ver a reação do filhote. Outro ponto importante: a mãe do Miguel não é muito presente no dia-a-dia e ele enfrenta vários problemas por conta disso. Então, dizer "mãe" perto dele é um assunto sempre muito delicado. Continuando.

— Ela não é minha mãe! - ele soltou.

— Ah não? O que ela é sua? - Natasha perguntou toda curiosa.

Miguel - segundo o que me foi descrito posteriormente - ficou meio pensativo, com as mãozinhas mexendo, como se estivesse prevendo como explicar.

— Ela é tipo... - pausa dramática - como se fosse mãe!

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~feels~

Alguém me socorre depois dessa? Se eu chorei? Que isso, imagina.

Guia de como sobreviver a uma bad

25 de agosto de 2016 34 comentários
Ah, a bad. Aquela linda sensação de se sentir menor do que um pedaço de cocô grudado na bota de um trabalhador suburbano. Aquele lance místico que rola quando os planetas se alinham e você, criaturinha abençoada, é escolhida para - do mais absoluto nada - emergir em uma completa situação de fundo do poço.

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tá tudo bem?
Não precisa de um motivo, uma situação ou sequer um trigger. Você pode estar tendo o melhor dia do mundo e, de repente, se encontrar em posição fetal no banheiro, mais conhecido como lugar oficial da fossa. Pois é. Como sobreviver aos estímulos de autodestruição em forma de sentimento enviados diretamente pelo próprio pata rachada?

Victória responde! Felizmente, na era digital, existem guias práticos e acessíveis para todo tipo de situação. Então, aqui vão alguns conselhos para evitar a famigerada vontade de ser levado por extraterrestres canibais.

1. Arrume a sua cama.
Pode parecer estúpido, pode soar como conselho de vó, mas é sério. Nada melhor para dar aquele up no seu dia do que arrumar o seu cantinho sagrado da soneca. Troca o lençol, as fronhas, coloca aquele cobre-leito que você comprou e ainda não usou. Sei lá. Deixa o negócio parecendo aquelas camas de hotel, sabe? Paraíso.

2. Tome um banho.
Mas não estamos falando de qualquer banho. Estamos falando daquele banho demorado, magnífico, digno da rainha da Inglaterra, com sabonete Granado e touca de hidratação. Aproveita e já faz aquela geral (se você curte) - esfolia, passa aqueles cremes que tu nem sabe para que servem, mas têm um cheiro bom, esfrega o corpo com bucha vegetal e por aí vai.

3. Coloque sua roupa mais confortável.
Sabe aquele pijama velho de algodão? Ou a camiseta de banda rasgada? O shorts de quando você ainda era criança e que, atualmente, é um quase um elfo doméstico com vida própria? Então, bota a roupa mais chuchu que você tiver. Aquela que te abraça e engloba todo o seu ser.

4. Coma algo delicioso.
For real. Permita-se comer aquela gulodice que você a-do-ra. Se tiver vontade, cozinhe-a! Bolo, pizza, churros, coxinha, brigadeiro, risoto, torta de chocolate, pipoca ou o que mais der na telha. 

5. Faça algo prazeroso.
Vá ao parque, faça uma maratona daquela série que você curte, coma algo exótico, crie um blog (hello!), plante uma flor, leia um livro novo, exercite-se, cante em um karaokê, vá ao cinema, medite, escreva uma carta ou sei lá mais o quê. Faça algo por você mesmo.

6. Chore.
Parece meio louco falar em sair da bad chorando, né? Mas a verdade é que estamos o tempo todo sendo pressionados e, por esse motivo, nossos sentimentos acabam ficando suprimidos. Nada melhor do que botar tudo para fora, chorar até soluçar e secar todas as lágrimas. No fim das contas, só sobra aquela leveza e sensação de ter se livrado de coisas ruins que ficaram muito tempo entaladas na garganta.

O que cês fazem para curar a bad? Desabafem aí!

Run boy run

10 de agosto de 2016 8 comentários
Eis que esse half BEDA (Blog Everyday August) tem se mostrado uma grande caixinha de surpresas e, em meio a um quase bloqueio criativo, escolher os temas dos posts está cada vez mais hardcore. Assim, esperem tópicos cada vez mais aleatórios por aqui. Bom, hoje vamos falar de: música - mais especificamente de um cara chamado Woodkid.

~o tal Woodkid~

Em uma biografia bem sintetizada: Yoann Lemoine, conhecido pelo nome artístico Woodkid, nasceu em 1983, na cidade de Lyon (França). Estudou ilustração, animação, serigrafia. Tornou-se designer gráfico, diretor musical e, posteriormente, se lançou como cantor/compositor.

O cara dirigiu os clipes Born to Die e Blue Jeans da Lana Del Rey, Teenage Dream da Kate Perry, Take Care da Rihanna ft. Drake e vários outros. Como se não fosse suficiente, ele foi nominado para 6 MTV Awards e ganhou 2 bronzes, 1 prata e 2 ouros no Festival de Cannes. OU SEJA, o boy não é pouca porcaria, né?

Como Woodkid, lançou Iron (2011), seu primeiro EP e, mais recentemente, The Golden Age (2013), seu primeiro álbum. Conheci o trabalho dele por meio do sr. Kaio (aka namorado) e, desde então, me apaixonei! As nuances instrumentais e a variedade de combinações com as quais ele trabalha são fantásticas. E, mais fascinante ainda, é a "história" de cada clipe e o modo como elas se completam (leia mais sobre isso aqui).

Particularmente, acho que o mais bacana dos clipes autorais dele é que eles têm uma pegada completamente fora da caixa! É tudo muito reflexivo e bem produzido, com uma fotografia fantástica misturada a um tom meio surreal e bizarro. Além disso, as letras são sempre compostas de maneira muito visceral, o que traz uma enorme sensação de pertencimento a quem ouve.
Tomorrow is another day
And you won't have to hide away
You'll be a man, boy
But for now it's time to run, it's time to run
Esse é um trecho de "Run boy run", uma das minhas favoritas! Também gosto muito de "I love you" e "Iron". Confiram os clipes abaixo. 




Curtiram? Já conheciam? Contem mais nos comentários :) 
 
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